Graduanda da UFBA é aprovada em doutorado nos EUA: "não acredito em meritocracia"

Original de Simões Filho, cidade da região metropolitana de Salvador, na Bahia, Roseane Reis começou a frequentar uma das escolas públicas próximas à sua casa quase aos sete anos de idade. No primeiro ano em que frequentou a escola, a jovem de 23 anos não conseguiu se matricular graças à falta de vagas remanescentes. "Por um ano, todos os dias eu precisava carregar a minha própria cadeira para a sala de aula", conta ela.

Foi no sétimo ano do Ensino Fundamental que Roseane teve o seu primeiro encontro com competições estudantis, durante a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Apesar de não ter sequer sido aprovada para a segunda fase da olimpíada, a estudante considera a realização da prova como um marco para a sua vida acadêmica. "Ir mal nessa competição me fez perceber quão ruim era o meu nível em matemática e o quanto eu ainda precisava melhorar", relembra.

Aos 14 anos, Roseane Reis passou no concurso do Instituto Federal da Bahia e, apesar de feliz pela conquista, enfrentava dificuldades financeiras que a forçaram a começar a trabalhar em regime de meio período. Ela conta que a obrigação de complementar a renda familiar não a fez desistir de estudar ainda mais. "Qualquer tempo livre que eu tinha, eu estudava. Estudei nas férias, no transporte e até entre uma aula e outra", relata a jovem. O esforço não foi em vão. Ao fim do seu terceiro ano do Ensino Médio, Roseane já tinha sido premiada em competições nacionais de Física, Astronomia e Química.

Aprovada diversas vezes na Universidade Federal da Bahia (UFBA) para diferentes cursos antes mesmo de ter concluído o Ensino Médio, a estudante acabou optando pelo curso de Física, que começou em 2013. No ano seguinte, a estudante foi selecionada para participar do programa Ciência sem Fronteiras, promovido pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e teve oportunidade de estagiar no Massachussets Institute of Technology (MIT). Ela chegou a conceder uma entrevista para o Intercâmbios Acadêmicos sobre sua experiência de mobilidade acadêmica.



Pouco menos de dois anos após a sua volta do Ciência sem Fronteiras, Roseane recebeu a notícia de ter sido aprovada para um doutorado em Biofísica Molecular e Computacional na Universidade de Washington em St. Louis. "O professor de lá trabalha com pesquisas com os vírus da zika, dengue e chikungunya", explica a estudante simõesfilhense, que deve retornar aos Estados Unidos ainda em junho deste ano para dar início ao curso de doutorado.

Para a jovem, o Ciência sem Fronteiras teve grande influência em suas conquistas acadêmicas até então. A estudante defende que o programa seja melhor explicado para a população. "É preciso mostrar à sociedade o que foi alcançado e o que o programa trouxe para o Brasil. É preciso criar uma plataforma de divulgação para que a sociedade comece a entender os benefícios e impactos que tal investimento irão trazer. É preciso divulgar o que os estudantes fizeram, e mostrar como o CsF impactou nessas conquistas", analisa.

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Paulo Vicente, ex-professor de Física da jovem, acredita que a participação de Roseane no programa do governo foi fundamental para abrir novos horizontes na vida acadêmica da estudante. "Devido ao desempenho excepcional, Rose já está colhendo os frutos agora com essa aprovação para fazer PhD nos Estados Unidos antes mesmo de passar por um programa de pós graduação aqui no Brasil", comemora ele.

Apesar dos esforços para conseguir a bolsa integral de doutorado nos Estados Unidos (EUA), para a Roseane Reis, sua história de vida não dá respaldo àqueles que acreditam em um sistema ou modelo de hierarquização e premiação baseado nos méritos pessoais de cada indivíduo. "Não acredito em meritocracia. Acredito em oportunidades", finaliza a jovem.
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